Internações por ansiedade triplicam na saúde suplementar
As internações por transtornos de ansiedade na saúde suplementar brasileira triplicaram entre 2015 e 2024. No período, os registros passaram de 2.027 para 6.084 casos anuais.
Os dados integram o estudoInternações por transtornos de ansiedade na saúde suplementar brasileira: Tendências temporais segundo sexo e faixa etária, elaborado pelo Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) a partir de informações da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).
No mesmo período, entre adolescentes de 10 a 19 anos, a taxa de internação por transtornos de ansiedade passou de 1,03 para 9,60 por 100 mil beneficiários de planos de saúde, o que corresponde a um aumento de aproximadamente nove vezes. O crescimento foi mais elevado entre as meninas.
Métodos
O estudo utilizou dados de Troca de Informações na Saúde Suplementar (D-TISS), da ANS, e analisou internações com diagnóstico principal de transtornos de ansiedade (CID-10 F41 e subcategorias) registradas entre 2015 e 2024.
Principais características da análise:
- estratificação por sexo (masculino e feminino);
- avaliação de três faixas etárias: 10 a 19 anos, 20 a 59 anos e 60 anos ou mais;
- comparação entre os períodos pré-pandêmico (2015–2019), pandêmico (2020–2021) e pós-pandêmico (2022–2024);
- cálculo de taxas de internação por 100 mil beneficiários de planos de saúde.
Foram registradas 31.984 internações por transtornos de ansiedade na saúde suplementar brasileira no acumulado de 2015 a 2024.
No período, o total anual passou de 2.027 em 2015 para 6.084 em 2024, o que indica um crescimento expressivo. A taxa de internação aumentou de 4,10 para 11,65 por 100 mil beneficiários.
Entre adolescentes de 10 a 19 anos, as internações passaram de 56 casos em 2015 para 567 em 2024. O pico de internações ocorreu em 2023, com 711 registros.
O grupo representou menos de 12% do total de internações por transtornos de ansiedade ao longo da série histórica. A participação variou de 2,8% em 2015 para um patamar entre 9% e 12% nos anos mais recentes.
Entre adolescentes, em 2024 foram registradas 438 internações de indivíduos do sexo feminino e 118 do sexo masculino, o equivalente a 3,7 internações femininas para cada internação masculina.
Ao longo da série histórica, a média anual de internações entre meninas passou de 91 casos no período pré-pandêmico (2015–2019) para 453 no período pós-pandêmico (2022–2024). A diferença entre os sexos apresentou ampliação gradual ao longo da série.
Entre adultos de 20 a 59 anos, a taxa de internação por transtornos de ansiedade aumentou cerca de 2,5 vezes entre 2015 e 2024. Essa faixa etária concentrou aproximadamente três quartos das internações registradas ao longo da série histórica.
Entre idosos, a taxa de internação aumentou cerca de 3,9 vezes no mesmo intervalo, passando de 2,92 para 11,54 por 100 mil beneficiários. Embora representem menor volume absoluto de casos, os registros nessa faixa etária também apresentaram crescimento contínuo ao longo do período analisado.
Distribuição e evolução geral
A média anual de internações passou de 1.867 no período pré-pandêmico (2015–2019) para 5.613 (2022–2024). O estudo aponta que a inflexão mais acentuada da série histórica ocorreu no período pós-pandêmico.
Ao longo da série histórica, observou-se predominância feminina nas internações por transtornos de ansiedade. A razão entre internações femininas e masculinas variou entre 1,58 e 2,45.
O aumento foi observado tanto no número absoluto de internações quanto nas taxas ajustadas pela população coberta por planos de saúde, indicando crescimento superior ao da base de beneficiários no período analisado.
Quando observadas as taxas por 100 mil beneficiários, o crescimento foi de cerca de nove vezes entre adolescentes, de 2,5 vezes entre adultos e de 3,9 vezes entre idosos.
Prioridades para prevenção e cuidado em saúde mental
Segundo os pesquisadores, as internações representam os casos mais graves de transtornos de ansiedade. O estudo destaca a importância da detecção precoce de sinais de sofrimento psíquico, do fortalecimento da atenção ambulatorial e da ampliação do acesso a serviços especializados em saúde mental.
Os autores apontam como prioridades a revisão da capacidade hospitalar em saúde mental, a organização de linhas de cuidado para adolescentes e mulheres jovens e a integração da rede ambulatorial e psicossocial, com o objetivo de reduzir a progressão para quadros que demandem hospitalização.