COP30 na Amazônia, destacando a descarbonização dos transportes e a transição para alternativas sustentáveis.

Descarbonização nos transportes ganha força após discussões da COP 30

A redução das emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE), a partir da transição gradual dos combustíveis fósseis para alternativas sustentáveis, foi um dos principais temas discutidos na Conferência do Clima realizada na Amazônia no último mês. Entre os cerca de 40 painéis dedicados ao assunto, a descarbonização dos transportes ganhou destaque, ao todo, nove deles trataram exclusivamente de estratégias para diminuir as emissões no transporte de cargas.

Para Vinicius Cordeiro, Gerente Executivo de Inteligência de Mercado da Brado Logística, o cenário demonstra que o tema avança e que, segundo as discussões que vêm sendo tratadas, a malha ferroviária pode ser um ativo estratégico para a descarbonização da logística brasileira. “Com a ferrovia é possível transportar grandes volumes com considerável redução de consumo energético e menor intensidade de emissões que o modal rodoviário, favorecendo cadeias logísticas mais eficientes e econômicas”, salienta.

Dados da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF) reforçam o argumento, uma vez que mostram que esse modal pode emitir até 85% menos CO² em comparação ao transporte exclusivamente rodoviário. A Brado, responsável por 85% das movimentações de contêineres em ferrovias brasileiras (em TKU) em 2024, registrou no período mais de 117 mil contêineres transportados, o que dá dimensão do potencial de economia de emissões.

Somente no ano passado, os clientes da empresa deixaram de emitir cerca de 318 mil toneladas de CO², o equivalente às emissões anuais de aproximadamente 69 mil carros de passeio. Até setembro deste ano, já foram contabilizadas outras 242 mil toneladas de CO² poupadas. Informações do Observatório Nacional de Transporte e Logística (ONTL) também mostram a dimensão da oportunidade: cada aumento de 1% ponto percentual na participação das ferrovias no transporte nacional de cargas pode evitar a emissão de 2 milhões de toneladas de gases de efeito estufa.

Além de combustíveis mais limpos, a eficiência operacional também se tornou um caminho de redução. Melhoria no planejamento logístico evita trechos ociosos e amplia a capacidade dos trens. No caso da Brado, a aposta em operações multimodais, priorizando a ferrovia em longas distâncias e o caminhão em trajetos curtos, gera ganhos diretos nas emissões.

O executivo pondera que o modal rodoviário continuará a ter papel relevante, especialmente no acesso a regiões não atendidas pela ferrovia. “O caminhão tem força e flexibilidade para se adaptar a diferentes realidades e demandas do cliente. Ele amplia o alcance da ferrovia e transforma eficiência em capilaridade real. É nessa combinação de escala nos trilhos e dinamismo nas estradas, que entregamos valor em todas as etapas da cadeia”, afirma.

Para otimizar ainda mais a operação, a empresa investiu em pórticos elétricos nos terminais de Sumaré/SP e Rondonópolis/MS. Esses equipamentos contribuem para a redução da emissão de GEE, uma vez que diminuem a necessidade de utilização de reach stackers, equipamentos similares a empilhadeiras que são movidas à diesel, além disso, também são mais seguros por serem manuseados remotamente e ainda possuem maior capacidade de carga. A modernização da frota também passa pela aquisição de vagões Double Stack, que permitem dois contêineres empilhados por composição. A tecnologia reduz viagens e otimiza o uso da infraestrutura.

Fonte: ESG Inside

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