Comunicação é ativo de sobrevivência em tempos de mudança
Fundadora da Ecco, Silvania Dal Bosco fala sobre reputação, comunicação, desinformação e a disputa pela atenção na era da inteligência artificial
Ecco – Escritório de Consultoria e Comunicação completa 23 anos com uma constatação incômoda para quem trabalha com imagem: a reputação já não se constrói apenas na imprensa. Ela se forma, se desfaz e se reconstrói em tempo real, em plataformas nas quais qualquer pessoa pode publicar informações, sem necessariamente passar por filtros editoriais.
“A inteligência artificial não inventou a crise de reputação. Ela encurtou o tempo de reação”, afirma Silvania Dal Bosco, jornalista que fundou e lidera os times de comunicação da Ecco. “Uma crise que antes levava dias para chegar ao jornal agora nasce num comentário e dá a volta antes do fim do dia. Quem comunica decide mais rápido e com menos informação. Isso muda tudo.”
Para Silvania Dal Bosco a comunicação deixou de ser função secundária dentro das empresas. Virou condição de sobrevivência. “Marca que não se posiciona é preenchida pelo que os outros dizem dela. E hoje os outros falam o tempo todo, sem pedir licença.
Linguagem que domina o ambiente digital é a do espetáculo
O professor Eugênio Bucci, da Escola de Comunicações e Artes da USP, descreve esse cenário com um conceito que cunhou: a superindústria do imaginário. Na leitura dele, o entretenimento passou a ordenar a vida no lugar de instituições tradicionais, e a linguagem que domina o ambiente digital é a do espetáculo, não a da informação. Bucci sustenta que as mentiras foram elevadas a outra escala pela indústria da desinformação, com as big techs como agentes centrais.
Silvania acompanha esse diagnóstico de perto. “Bucci tem razão quando diz que a imprensa precisa voltar a se ver como organismo pensante. O mesmo vale para as marcas. Reputação não se sustenta com release bonito e post diário. Se sustenta com coerência entre o que a empresa diz e o que ela faz, todos os dias, em todos os canais.”
O desafio cresce quando a notícia negativa não passa pela imprensa. Circula direto nas redes, sem apuração e sem direito de resposta. “Antes, a crise tinha endereço. Você sabia onde ela estava e com quem falar. Hoje ela está em mil lugares ao mesmo tempo, e cada pessoa que compartilha vira um veículo”, analisa a diretora da Ecco.
Nesse ambiente, a resposta automática e o silêncio costumam produzir o mesmo resultado: mais dano. Silvania defende que a gestão de crise comece antes da crise, com monitoramento, plano escrito e porta-voz preparado. “Prevenção custa menos que reparação. Sempre. Quem procura ajuda no meio do incêndio trabalha com menos opções e mais prejuízo.”
Ecco – Escritório de Consultoria e Comunicação atua há 23 anos em assessoria de imprensa, gestão de crises, comunicação estratégica e relacionamento com a mídia. Fundada e dirigida por Silvania Dal Bosco, a empresa acompanha, desde 2003, a transformação do mercado de comunicação no Brasil.