Brasil tem 8 milhões de analfabetos; maioria é idosa
Esta é a primeira vez, desde a criação da Pnad Educação, do IBGE, que a proporção de brasileiros acima de 15 anos que não sabem ler ou escrever fica abaixo de 5%
O Brasil registrou, em 2025, 8,4 milhões de analfabetos, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Educação de 2025, divulgada nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ou seja, 4,9% da população com mais de 15 anos não consegue ler nem escrever um bilhete simples. Essa é a primeira vez desde que a pesquisa começou a ser realizada, em 2016, que essa proporção fica abaixo de 5%.
Entre os analfabetos, mais da metade (4,9 milhões de pessoas) tem mais de 60 anos. Considerando apenas essa faixa etária, 13,8% não aprenderam a ler ou escrever. Isso aponta que, apesar de ainda ter muitos desafios, o sistema educacional brasileiro teve avanços significativos nas últimas décadas. Considerando apenas a população abaixo de 60 anos — entre 15 e 59 —, a taxa de analfabetismo cai para 2,9%.
Ao GLOBO, a gerente de Políticas Educacionais da organização Todos Pela Educação, Manoela Miranda, afirma que as políticas públicas de alfabetização voltadas para jovens e adultos, como o EJA (Educação de Jovens e Adultos), ainda são necessárias e acredita que os dados indicam uma transição:
— Este número tem muito a ver também com uma população que não teve acesso maior à educação. A nossa tendência é uma transição com índices mais baixos de analfabetismo daqui para frente.
De acordo com o IBGE, “a análise por cor ou raça, embora apresente tendência de redução, evidencia a persistência das desigualdades educacionais“. Em 2025, 2,8% das pessoas de 15 anos ou mais de idade de cor branca eram analfabetas, enquanto a taxa foi de 6,5% entre pessoas pretas ou pardas nesse mesmo grupo de idade.
A diferença aumenta ainda mais considerando apenas os idosos: na faixa de 60 anos ou mais, 7,3% das pessoas brancas eram analfabetas, contra 20,6% entre as pretas ou pardas.